16 de abril de 2026

Como o awê mantém viva a tradição nas aldeias indígenas Pataxó

Legenda: Imagem de uma vivência entre os indígenas Pataxó no Dia das Crianças de 2025. Crédito da imagem: Divulgação.

No dia 19 de abril, comunidades indígenas de todo o Brasil realizam rituais tradicionais para celebrar o Dia dos Povos Indígenas. Entre o povo Pataxó, um dos rituais mais importantes é o Awê, que reúne dança, música e espiritualidade.

Na aldeia Boca da Mata, dentro do Parque Nacional do Monte Pascoal, quem guia esse momento é o pajé Nyomaktxi Pataxó, líder espiritual e guardião dos saberes da comunidade.

“O pajé é como se fosse o médico da aldeia. Cuida da saúde e da espiritualidade. Fazemos chás com ervas e damos banhos para curar”, explica o Pataxó.

Além disso, é ele quem acompanha o ritual Awê. Em roda, adultos e crianças dançam, cantam e marcam o ritmo com o som do tambor e do maracá.

O maracá, parecido com um chocalho, é feito de uma cabaça, um fruto semelhante à abóbora que, depois de seco, fica duro por fora e vazio por dentro. Dentro dele, sementes ou pedrinhas criam o som que guia a dança.

Além de uma celebração, o Awê é um momento de união, força e conexão com a cultura ancestral. É um ritual antigo, que acontece em datas especiais, encontros da comunidade e também em momentos importantes da vida.

O pajé Nyomaktxi Pataxó a frente dos demais companheiros durante o awê.
Legenda: O pajé Nyomaktxi Pataxó a frente dos demais companheiros durante o awê. Crédito da imagem: Divulgação

Na aldeia, o lugar de aprender não é só nos livros. As crianças entram na escola desde pequenas e crescem entre aulas de Patxohã, a língua do povo Pataxó, e atividades como arte e educação física. Mas o aprendizado também acontece correndo, brincando e vivendo.

“As crianças gostam muito dos jogos indígenas, como arco e flecha, corrida com tora e a luta tradicional”, explica o pajé.

Na corrida de tora, por exemplo, equipes se revezam carregando um tronco pesado enquanto correm. Mais do que uma prova de força, é um exercício de união.

Entre a escola, a natureza e os rituais, a vida na aldeia segue ensinando.

“Vivemos aqui muito antes do homem branco, o invasor”, lembra o pajé.

Assim, a cada canto, dança e a batida do maracá, a cultura Pataxó continua viva, sendo aprendida e celebrada pelas novas gerações.

Conheça algumas palavras da aldeia:

⇒ Awê
Ritual indígena com dança, música e cantos. Nele, crianças e adultos participam juntos, celebrando a cultura, a natureza e a espiritualidade.

⇒ Pajé
Líder espiritual da aldeia. Além disso, também cuida da saúde da comunidade usando ervas, chás e saberes tradicionais.

⇒ Patxohã
Língua materna do povo Pataxó. É ensinada na escola e ajuda a manter viva a cultura e a identidade do povo.


Referência: Biblio.fae, entrevista
Acesso em 24 de março de 2026.

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