O que acontece dentro da escola que vale sair nas páginas do jornal? Hoje vamos conhecer os bastidores de uma experiência que colocou os estudantes no papel de repórteres: a produção do Jornal Doardo Borsari, de Indaiatuba, no interior de São Paulo.
A coordenadora Jaciara Fernanda da Costa Bertasi e as alunas Maria Gabriela Firmino de Araújo e Maria Clara Tomasetto, da EMEB Doardo Borsari, contaram sobre esta experiência em um episódio do podcast do JC.
Quanto mais liam, mais melhoravam a leitura
“O jornal da escola nasceu de uma turma que produzia notícias na sala de aula. Com a riqueza daquele conteúdo, surgiu a ideia de levar o projeto para toda a escola e incentivar a leitura”, conta Jaciara.
A aluna Clara explica: “A professora colocou no jornal alguns alunos que se destacaram no bimestre para incentivar a participação de outras turmas”.
“No JC, antes de produzir uma reportagem, os jornalistas observam o que está acontecendo, conversam e escolhem quais assuntos são mais importantes para virar notícias. Esse momento é chamado de reunião de pauta”, ensina a jornalista Viviane Zanardo.
Projeto Ler Faz Bem
A produção do Jornal Doardo foi semelhante. Como, por exemplo, a pauta sobre os livros que vinham na Sacolinha de Leitura, uma iniciativa que faz parte do Projeto Ler Faz Bem, promovido pela Secretaria da Educação de Indaiatuba (SP).
“Nós escrevemos sobre as histórias de quatro livros por mês. Assim, escolhemos as melhores ideias dos livros para publicar no Jornal Doardo”, explica a aluna Gabriela.
Aliás, a partir deste projeto surgiu outra iniciativa interessante que ganhou espaço no jornal: “Multiplicadores de histórias”. A ideia da professora Luci Rosana Garcia de ler as histórias da Sacolinha de Leitura para outros colegas foi um sucesso.
“Além disso, outras atividades na escola também envolviam os estudantes, que pediam para sair no jornal. Então, a professora entrevistava a turma e montava o texto, produzido a partir das ideias dos alunos”, lembra Jaciara.
O assunto escolhido para a primeira página do jornal foi “Nota 10 em frequência”. Quarenta e duas crianças receberam o prêmio “Aluno presente” porque não faltaram às aulas.
Outros temas chamaram atenção na seção “O que rola”. Entre elas, a pauta “Escritores mirins” e o “Projeto bombeiro na escola”. Nesta notícia, os alunos do quarto ano aprenderam sobre a importância desta profissão. Destaque também para o projeto “Alimentação saudável”. Neste texto, os estudantes alertavam sobre os perigos dos alimentos ultraprocessados.
Para Clara, a reportagem que mais chamou a atenção foi a entrevista com o avô dela, o senhor Ari. Ele participou do Encontro com as Famílias na EMEB Doardo. Neste dia, Clara e seus colegas entrevistaram o avô sobre como era a escola na época dele.
Jaciara já anuncia a próxima edição, que trará uma reportagem sobre uma roda de conversa com os pais e a participação de uma mãe que levou seus conhecimentos sobre yoga para as turmas.
“A partir de um jornal da sala de aula, passou-se para a escola toda. Ter acesso a tudo o que acontece ali é muito gratificante”, diz a coordenadora.
Ouça o podcast com a entrevista sobre o Jornal Doardo:
Multiplicadores de histórias

Legenda: A professora Luci e os alunos Kemilly, Leandro e Maria Eduarda. Crédito da imagem: Arquivo pessoal.
Uma boa leitura pode despertar em outra criança a vontade de ler também. Na EMEB Doardo Borsari, o projeto Multiplicadores de Histórias ganhou destaque no Jornal Doardo ao mostrar como os alunos compartilham suas leituras e despertam a curiosidade dos colegas.
Leandro Trovilho Stocco, do 5º ano, conta que a ideia era ler para despertar nos colegas mais novos a vontade de ler também.
“É tão bom multiplicar o que a gente gosta. O interesse pela leitura é despertado quando alguém compartilha um trecho que mais gostou”, ensina a professora Luci Rosana Garcia.
Um trecho, muitas descobertas
Foi o que aconteceu com a turma. Ao ouvir os trechos preferidos dos colegas, os estudantes ficaram curiosos para conhecer as histórias completas. Entre os livros da Sacolinha de Leitura, Diário de Pilar na Grécia chamou a atenção da turma.
Maria Eduarda Santana de Paula escolheu um trecho para despertar a curiosidade dos colegas do 4º ano:
“Eu li uma parte em que a Pilar deita na rede com o livro e seu gatinho, que se chama Samba, e o seu amigo Breno. De repente, a rede começa a girar bem rápido, o quarto dela se enche de folhas e galhos e ela vai parar na Grécia.”
Kemilly Camargo Florido, do 4º ano, confirma que ouvir os trechos que mais chamaram a atenção dos alunos mais velhos deu certo:
“Na hora da parte do gato, eu fiquei interessada em saber o final da história depois que eles giraram na rede e foram parar na Grécia.”
Uma viagem pela mitologia grega
Leandro gostou de um trecho sobre Hermes, personagem da mitologia grega:
“O deus Hermes é um personagem da mitologia grega que interage com a Pilar durante sua viagem pelo Monte Olimpo. Gostei muito dele porque é o mensageiro de Zeus, o deus dos comerciantes e dos ladrões. Foi Hermes quem fez a primeira lira com o casco de tartaruga, um instrumento musical de cordas da Grécia Antiga.”
“É bom viajar em uma boa leitura, uma forma de conhecer o que a gente não consegue presencialmente. Eles leram com mais vontade e interesse, é uma sementinha do prazer de ler porque ler faz bem”, diz a professora.
Para Leandro, compartilhar uma história é uma forma de incentivar outra pessoa a ler. Kemilly descobriu que também pode aprender ouvindo novas histórias. Já Maria Eduarda lembrou de quando era pequena:
“A minha mãe contava histórias pra mim. Agora, eu lendo histórias para outras pessoas, é como se eu fosse uma mãe contando histórias para as crianças dormirem.”
Ouça o podcast sobre os Multiplicadores de Histórias:
Referência: Entrevista
Acesso em 22 de agosto de 2026.




