05/10/2025

“A Mensagem de Jequi” dá voz às comunidades quilombolas

Mensagem de Jequi

“Se você é criança e encontrou essa garrafa no rio ou no mar, essa é  minha mensagem. Sou Jequi, eu nasci na comunidade quilombola Vila Nova. Aqui tem um rio limpo que encontra outro rio maior. E já vi no sonho que ele vira mar.”

O filme A Mensagem de Jequi, que mistura realidade e imaginação, será exibido na COP30, em Belém (PA), no dia 10 de novembro, no Cine Líbero Luxardo, durante a mostra Telas Amigáveis. A produção se destaca ao mostrar a vida das comunidades quilombolas e alertar sobre a exploração do ouro e dos minérios no Vale do Jequitinhonha (MG), um problema que há séculos impacta o meio ambiente e a vida das pessoas da região.

Quem é Jequi?

Um garoto de apenas 5 anos foi escolhido pelo cineasta Igor Amin para fazer o papel de Jequi. “Quando a gente convida uma criança quilombola, uma criança negra, para ser protagonista, abrimos espaço na tela do cinema para que ela reconheça a sua importância. Por isso, convidamos Caíque dos Santos Silva para ser o herói do filme, que salva sua comunidade das ameaças que colocam em risco as águas do seu lugar”, conta Igor.

Natural de São Gonçalo do Rio das Pedras, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o cineasta Igor Amin tem muitos amigos quilombolas. 

diretor Igor Amin

A ideia do filme surgiu nas oficinas de cinema e educação climática que Igor realiza com crianças quilombolas na Escola Estadual Mestre Virgínia Reis. Durante uma das atividades, elas criaram “telegarrafas” com mensagens em texto e vídeo sobre como cuidar das águas. A partir disso, Igor transformou essas ideias e experiências em um filme que mostra a importância da água.

Sinopse

Jequi é uma criança quilombola do Vale do Jequitinhonha. Ele enfrenta um grande desafio: contar ao mundo os problemas que o chamado “progresso” pode trazer para sua região. Principalmente, a destruição da natureza e das águas do rio onde brinca todos os dias. Porém, com o que aprendeu com sua família e comunidade, Jequi tem uma ideia. Ele cria um plano para alertar outras crianças através de uma mensagem dentro de uma garrafa.

Nas montanhas de São Gonçalo do Rio das Pedras, o menino Jequi soltou seu barquinho no rio e sonhou. As águas o levaram por vales e vilas do Jequitinhonha, onde conheceu rostos e vozes do caminho: Nara, menina-peixe da praia da Saudade; Nitam, que dançava nas cachoeiras de Ubatuba, em São Paulo; Liz, em Portugal, que guardava lágrimas em garrafinhas; e Zango, de Moçambique, que tocava tambores à beira-mar.

O JC entrevistou o Caíque. Confira!

Kaique Santos SilvaMeu nome é Caique Lucas dos Santos Silva, eu tenho 10 anos e vivo em São Gonçalo do Rio das Pedras que é distrito de Serro, em Minas Gerais.

Um lugar muito lindo, a minha rotina é brincar, jogar bola, à tarde eu vou para a escola. Depois disso, eu tenho aula de banda, toco trombone a vara.

“Aqui tem umas cachoeiras maravilhosas onde passa o rio Jequitinhonha. Eu adoro  brincar lá quando posso.”

Como foi interpretar o Jequi?

Eu amei gravar o Jequi e o que mais gostei foi que ele manda uma mensagem para as crianças: cuidar da água e tomar cuidado com pessoas estranhas que chegam em comunidades quilombolas.

Você é parecido com o personagem?

O que eu tenho em comum com o Jequi é gostar de brincar no rio. Por isso, eu gosto de protegê-lo. Se pudesse enviar uma mensagem na garrafa, escreveria: Cuidar muito da água de todo mundo porque a água é o futuro das crianças.

Caíque vive na Comunidade Quilombola Vila Nova com seus pais, Edilaine e Múcio Silva. Múcio, que dá aulas de música na escola. Ele acompanhou de perto os bastidores da gravação do filme A Mensagem de Jequi, registrando cada momento com o mesmo cuidado de quem afina uma canção.

Múcio, como foi acompanhar as oficinas de cinema e educação climática na escola?

Eu ajudei em algumas coisas, até porque a gente é bem sensível a este tema. Nós não vemos a natureza como fruto do nosso uso e sim parte do nosso dia a dia. O Igor, responsável pelas oficinas, já é um amigo da família.

O que é ser quilombola nos dias de hoje?

Antigamente, o quilombo era um refúgio, um local onde a pessoa ia para conseguir viver em liberdade. Hoje, os quilombos mantêm este contato do homem com a terra. A liberdade que antes era viver do jogo do branco passou a ser de viver livremente da terra com as capacidades que ela oferece. 

Vocês trocam alimentos?

Sim, costuma–se trocar alimentos e trabalho. Já há alguns anos realizamos as trocas na feira de sementes. Muita coisa é mantida mais pela cultura do que pela necessidade. No entanto, a maior parte da alimentação é adquirida no comércio local e também nas ferinhas.

quitanda, troca de alimentos na comunidade quilombola

Antigamente, plantava–se para sobreviver, hoje cultivamos por hábito e costume. Por exemplo, no café da manhã a gente planta, colhe e torra o café. Vivemos em uma sociedade moderna, mas conservando os hábitos que se tornaram uma tradição de plantar mandioca, colher e fazer a farinha. Plantamos o milho, colhemos e faz um fubá suado. Para o outro parece ser algo irracional porque dá para comprar as coisas no mercado. Dá, mas não é igual. 


Referência: Entrevista
Acesso em 21 de outubro de 2025.

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