19 de março de 2026

Atenção para não ser enganado com propaganda disfarçada em artigos

Atenção para não ser enganado com propaganda disfarçada em artigos

OC Chegou no seu e-mail que uma revista super conceituada publicou um artigo sobre um tema do seu interesse. Até aí, tudo bem. Mas quem assina o texto é justamente a pessoa que tem você como principal lead, alguém que quer te vender um serviço, uma solução ou uma ideia. Você percebe esse conflito? Ou lê como se fosse apenas mais uma informação confiável?

E tem um ponto ainda mais delicado: o texto sobre o tal assunto pode até estar correto, bem escrito, tecnicamente consistente. Mas a intenção, muitas vezes, é outra, transmitir a imagem de que aquela única empresa faz aquilo, ou é referência absoluta no tema. Isso é certo? Isso é jornalismo com nome de artigo ou é um informe editorial disfarçado?

Como identificar propaganda disfarçada?

A checagem das fontes nunca foi tão urgente, e, ao mesmo tempo, tão desafiadora. Falo isso a partir da minha própria trajetória no jornalismo. Eu me formei em um período de transição: ainda escrevi em máquina de escrever, tive acesso limitado a computadores na faculdade e vi, ao longo da carreira, a internet deixar de ser novidade para se tornar o principal ambiente de produção e consumo de informação.

Aprendi a navegar nesse universo na prática, trabalhando diariamente com notícias online desde os anos 2000. Mas essa vivência me faz levantar uma questão importante: e quem não teve esse processo? Como as pessoas, hoje, fazem suas pesquisas? Como diferenciam informação de opinião? E, mais ainda, como identificam quando há interesses por trás de um conteúdo aparentemente informativo?

Essa preocupação se torna ainda mais relevante quando pensamos no excesso de informações disponíveis. Nem tudo o que aparece primeiro em uma busca é o mais confiável. Nem todo texto informativo é, de fato, imparcial. Muitas vezes, opiniões estão embutidas de forma sutil, conduzindo o leitor a determinadas conclusões sem que isso esteja claramente sinalizado.

E aqui vale ser direta: muitos desses conteúdos não são jornalismo, são estratégia de marketing com aparência de reportagem. Ou seja, são textos publicados em veículos respeitados, assinados por “especialistas” que, na prática, estão promovendo seus próprios interesses. Não há erro em produzir conteúdo de marca, o problema está quando isso não fica claro para o leitor.

O compromisso do JC Jornal

No JC Jornal, tratamos essa questão com muito cuidado. Nosso compromisso é com a informação clara e responsável. Quando há opinião, ela é identificada. Como, por exemplo, na coluna do Mike, nossa mascote, que assume de forma leve e transparente seu ponto de vista. Essa distinção é essencial para formar leitores críticos desde cedo.

Mas e os adultos? Professores, profissionais, leitores em geral: será que conseguem perceber quando um conteúdo está tentando persuadir? Quando há interesses comerciais por trás de um texto? Você costuma checar quem é o autor, de onde ele fala, o que ele ganha com aquilo que está defendendo?

Um dos princípios básicos do jornalismo é a diversidade de fontes. Por isso, uma reportagem construída com apenas um ponto de vista, sem contraponto, acende um alerta. Pode não ser, necessariamente, jornalismo, pode ser posicionamento disfarçado.

Então, mais do que nunca, é preciso desenvolver o olhar crítico. Não basta ler, é preciso interpretar. Assim como não basta confiar no veículo, é preciso entender quem está falando dentro dele.

E eu te pergunto, de forma bem direta: você sabe quando está sendo informado ou quando está sendo convencido?

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