10 de junho de 2026

Junho chega com forró, fogueira e histórias do povo brasileiro 

Maior bolo de milho é de Campina Grande (PB)
Legenda: Maior bolo de milho do mundo, em Campina Grande, na Paraíba. Crédito da imagem: site da Prefeitura de Campina Grande

Pesquisadores explicam que indígenas e africanos também ajudaram a criar as festas juninas do Brasil

As bandeirinhas coloridas nas quadras e praças são um sinal de que o arraial vai começar! Em algumas cidades do Brasil, as Festas Juninas duram mais de 30 dias com forró, quadrilhas, brincadeiras e comidas típicas.

Mas, quem inventou a festa?

Muita gente pensa que os portugueses ensinaram este costume durante a colonização do Brasil. No entanto, pesquisadores da Universidade de São Paulo explicam que os povos indígenas e africanos também ajudaram a construir a Festa Junina brasileira. Por exemplo, os indígenas ensinaram a celebrar na natureza, ao redor da fogueira. Já os africanos trouxeram os tambores, as músicas e as danças animadas que fazem parte dos arraiás até hoje.

Enquanto em Portugal o prato típico é a sardinha assada, no Brasil, o milho se tornou um dos símbolos das festa. Isto porque o mês de junho é tempo de colheita em muitas plantações brasileiras. Por isso, comidas como pipoca, pamonha, canjica e bolo de milho fazem tanto sucesso nos arraiais. 

Neste ano, a cidade de Campina Grande, na Paraíba, vai preparar novamente o famoso “Maior Bolo de Milho do Mundo”, que pode pesar quase 700 quilos. Depois, o bolo é dividido entre as pessoas que visitam a festa.

Enfim, o milho aparece até nas histórias populares. Uma delas é o conto “Maria Arteira e a Espiguinha da Sorte”, da autora Neyde Palhares Rocha, nascida em 1935. A escritora criou essa história lembrando de quando ela era criança.

MARIA ARTEIRA E A BONECA DE MILHO

Maria Arteira e a Espiga da Sorte
Referência: Conto da Maria Arteira e a Espiga da Sorte. Crédito da imagem: Editora 10.

MARIA E ZEFA SEMPRE BRINCAVAM DE CASINHA NO QUINTAL DE CASA.

COM PEDRINHAS, FAZIAM UM FOGÃO NO CHÃO.
COM LATINHAS, FAZIAM PANELINHAS.

MAS FALTAVAM AS BONECAS, ENTÃO MARIA E ZEFA VESTIAM AS ESPIGAS DE MILHO COM PEDAÇOS DE TECIDO E COMEÇAVAM A IMAGINAR A BRINCADEIRA.

PENTEAVAM OS CABELOS DO MILHO E FAZIAM TRANÇAS ENQUANTO CONVERSAVAM.

ELAS ERAM BEM DIFERENTES, ALGUMAS COM CABELOS LOIROS, RUIVOS, CASTANHOS OU BEM ESCUROS.

DE REPENTE, MARIA FICOU PENSATIVA ENQUANTO ADMIRAVA A BONECA. 

— ZEFA, VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR QUE O MILHO É SAGRADO?

— COMO ASSIM? — PERGUNTOU A AMIGA COM OS OLHOS ARREGALADOS.

MARIA EXPLICOU:

— A PARTIR DO MILHO FAZEMOS OUTROS ALIMENTOS. COMO, POR EXEMPLO, A CANJICA, O FUBÁ, O CEREAL E ATÉ A PIPOCA!

— O MILHO ALIMENTA E LEVA ALEGRIA PARA AS FESTAS.

ZEFA DISSE:

— É MESMO, MARIA! EU NUNCA TINHA PENSADO NISSO.

MARIA SORRIU:

— MINHA AVÓ DIZIA QUE EXISTE A ESPIGUINHA DA SORTE.

ZEFA SE APROXIMOU CURIOSA.

MARIA COMEÇOU A CONTAR:

— UM DIA, DEUS OLHOU PARA A TERRA E JOGOU UMA SEMENTINHA ESPECIAL.     DESSA SEMENTINHA NASCEU O MILHO, TRAZENDO FARTURA À MESA COM TANTA VARIEDADE DE ALIMENTOS.

MARIA MOSTROU SUA BONEQUINHA PARA A AMIGA:

— PARECE ATÉ GENTE, COM CABELOS COLORIDOS! 

AS ESPIGAS LOIRAS BRILHAM COMO AS IDEIAS INTELIGENTES. 

AS RUIVAS TÊM COR DE SAÚDE E ALEGRIA. 

AS CASTANHAS AQUECEM O CORAÇÃO COM AMOR.

E AS ESPIGAS PRETAS SÃO FORTES E CORAJOSAS.

ZEFA ABRAÇOU SUA BONEQUINHA DE MILHO E FICOU SORRINDO.

— ENTÃO ESSA É A ESPIGUINHA DA SORTE!


Referência: National Geographic Brasil, Campina Grande.pb.gov
Acesso em 21 de maio de 2026.

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