Legenda: Maior bolo de milho do mundo, em Campina Grande, na Paraíba. Crédito da imagem: site da Prefeitura de Campina Grande
Pesquisadores explicam que indígenas e africanos também ajudaram a criar as festas juninas do Brasil
As bandeirinhas coloridas nas quadras e praças são um sinal de que o arraial vai começar! Em algumas cidades do Brasil, as Festas Juninas duram mais de 30 dias com forró, quadrilhas, brincadeiras e comidas típicas.
Mas, quem inventou a festa?
Muita gente pensa que os portugueses ensinaram este costume durante a colonização do Brasil. No entanto, pesquisadores da Universidade de São Paulo explicam que os povos indígenas e africanos também ajudaram a construir a Festa Junina brasileira. Por exemplo, os indígenas ensinaram a celebrar na natureza, ao redor da fogueira. Já os africanos trouxeram os tambores, as músicas e as danças animadas que fazem parte dos arraiás até hoje.
Enquanto em Portugal o prato típico é a sardinha assada, no Brasil, o milho se tornou um dos símbolos das festa. Isto porque o mês de junho é tempo de colheita em muitas plantações brasileiras. Por isso, comidas como pipoca, pamonha, canjica e bolo de milho fazem tanto sucesso nos arraiais.
Neste ano, a cidade de Campina Grande, na Paraíba, vai preparar novamente o famoso “Maior Bolo de Milho do Mundo”, que pode pesar quase 700 quilos. Depois, o bolo é dividido entre as pessoas que visitam a festa.
Enfim, o milho aparece até nas histórias populares. Uma delas é o conto “Maria Arteira e a Espiguinha da Sorte”, da autora Neyde Palhares Rocha, nascida em 1935. A escritora criou essa história lembrando de quando ela era criança.
MARIA ARTEIRA E A BONECA DE MILHO

MARIA E ZEFA SEMPRE BRINCAVAM DE CASINHA NO QUINTAL DE CASA.
COM PEDRINHAS, FAZIAM UM FOGÃO NO CHÃO.
COM LATINHAS, FAZIAM PANELINHAS.
MAS FALTAVAM AS BONECAS, ENTÃO MARIA E ZEFA VESTIAM AS ESPIGAS DE MILHO COM PEDAÇOS DE TECIDO E COMEÇAVAM A IMAGINAR A BRINCADEIRA.
PENTEAVAM OS CABELOS DO MILHO E FAZIAM TRANÇAS ENQUANTO CONVERSAVAM.
ELAS ERAM BEM DIFERENTES, ALGUMAS COM CABELOS LOIROS, RUIVOS, CASTANHOS OU BEM ESCUROS.
DE REPENTE, MARIA FICOU PENSATIVA ENQUANTO ADMIRAVA A BONECA.
— ZEFA, VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR QUE O MILHO É SAGRADO?
— COMO ASSIM? — PERGUNTOU A AMIGA COM OS OLHOS ARREGALADOS.
MARIA EXPLICOU:
— A PARTIR DO MILHO FAZEMOS OUTROS ALIMENTOS. COMO, POR EXEMPLO, A CANJICA, O FUBÁ, O CEREAL E ATÉ A PIPOCA!
— O MILHO ALIMENTA E LEVA ALEGRIA PARA AS FESTAS.
ZEFA DISSE:
— É MESMO, MARIA! EU NUNCA TINHA PENSADO NISSO.
MARIA SORRIU:
— MINHA AVÓ DIZIA QUE EXISTE A ESPIGUINHA DA SORTE.
ZEFA SE APROXIMOU CURIOSA.
MARIA COMEÇOU A CONTAR:
— UM DIA, DEUS OLHOU PARA A TERRA E JOGOU UMA SEMENTINHA ESPECIAL. DESSA SEMENTINHA NASCEU O MILHO, TRAZENDO FARTURA À MESA COM TANTA VARIEDADE DE ALIMENTOS.
MARIA MOSTROU SUA BONEQUINHA PARA A AMIGA:
— PARECE ATÉ GENTE, COM CABELOS COLORIDOS!
AS ESPIGAS LOIRAS BRILHAM COMO AS IDEIAS INTELIGENTES.
AS RUIVAS TÊM COR DE SAÚDE E ALEGRIA.
AS CASTANHAS AQUECEM O CORAÇÃO COM AMOR.
E AS ESPIGAS PRETAS SÃO FORTES E CORAJOSAS.
ZEFA ABRAÇOU SUA BONEQUINHA DE MILHO E FICOU SORRINDO.
— ENTÃO ESSA É A ESPIGUINHA DA SORTE!
Referência: National Geographic Brasil, Campina Grande.pb.gov
Acesso em 21 de maio de 2026.



